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domingo, 6 de agosto de 2017

Obrigado pela "oportunidade"

Não sou o tipo de pessoa que pode ser descrita como pessimista. Confesso que tenho surtos de pessimismo muito fortes. Mas, no geral, sempre observei meus privilégios dentro da sociedade com gratidão. Sempre projetei coisas boas para o meu futuro. E sempre que me proponho a colocar em funcionamento um projeto, geralmente, é visando o bem comum.

Não me considero uma pessoa especial ou melhor do que todas as outras. Me considero arrogante e presunçoso, mas tento melhorar isso no dia-a-dia, no constante exercício das minhas capacidades de auto-conhecimento. No entanto, sei que eu poderia ser mais útil. E sei que já fiz o que estava ao meu alcance.

Essa introdução é o reflexo embaçado da minha indignação com o rumo da nossa sociedade. É que por muitos anos eu vislumbrei as Marias da sociedade, acreditando que elas fossem um exemplo, de fato, a serem seguidas, assim como os trabalhadores do subsolo da Metropolis, também enxergaram.

A propósito, no filme Metropolis, Maria foi tirada de um subsolo para ter sua personalidade moldada (dentro da metáfora de um robô) de acordo com os interesses do Capital, assim ela se tornaria um exemplo de que todos tinham capacidade de alcançar um futuro promissor, quando, na verdade, era só uma forma de fazer a manutenção da massa!

Eu tenho 3 livros publicados, sou um autor anônimo: esse é o termo utilizado! ANÔNIMO. Embora eu tenha alcançado em certo aspecto uma boa vendagem para um autor anônimo, o alcance substancial na sociedade foi quase nulo.

Eu fico no limbo da literatura: é onde os leitores pós-modernos me enxergam como um lixo, ou como um convencido, pois estão obcecados por autores internacionais que falam de amor. E os leitores maduros, com formação e, consequentemente - mesmo que fujam disso - ACADEMICISTAS, me olham com desdém, me julgam prepotente. Quando na verdade, minha intenção é contar uma história!

Há um mês, lancei meu terceiro livro, um trabalho que levou 4 anos. Pessoas que costumam ler e que têm bom senso crítico, avaliaram o livro, devido a sua natureza humanitária, como um livro que todos deveriam ler. Isso, porque elas conhecem a realidade do mercado editorial no país.

Meu livro não é de fácil acesso: É caro, não se encontra em livrarias e a editora apresenta problemas técnicos em sua loja e serviço de envio. Se eu o disponibilizo gratuitamente na web, ninguém o lerá, pois, a sociedade considera desvalorização qualquer coisa que não envolva dinheiro, a palavra VALOR, quase que oficialmente, perdeu um de seus significados.
E, pra mim, um livro digital ou físico não faria diferença, eu já vivo na pele a desvalorização - tanto em dinheiro, quanto o sentido morto - com o mercado editorial no país. Em resumo, estou preso e não vejo, por enquanto, uma saída adequada. Estou preso e me contentando em ser um artista desvalorizado. Amarrado e amordaçado por um contrato editorial, enquanto sou torturado por leitores que ignoram ou desdenham.

É doloroso presenciar a morte de uma obra sua antes da sua própria morte. Um pouco parecido com os pais que perdem filhos...